No âmbito do Serviço Social, a investigação não deve ser compreendida como uma atividade secundária ou meramente burocrática, mas como uma dimensão constitutiva e necessária do exercício profissional.

 

Conforme argumenta Craveiro (2022), a atitude investigativa é o que permite ao assistente social ultrapassar a aparência imediata dos fenômenos sociais, muitas vezes marcada pelo senso comum e pela fragmentação, para alcançar a essência das expressões da questão social. Ao investigar, o profissional deixa de ser um mero executor de tarefas para se tornar um intelectual capaz de decifrar a realidade e identificar as contradições que permeiam a vida dos sujeitos atendidos.

 

Além disso, a autora enfatiza que esse processo é intrinsecamente movido por intencionalidades, o que significa que a prática profissional jamais será neutra. A investigação, orientada pelos princípios do Projeto Ético-Político, funciona como uma mediação fundamental entre a teoria e a prática, oferecendo os subsídios necessários para a escolha de instrumentos e técnicas que sejam coerentes com a defesa dos direitos humanos.

Assim, o ato de pesquisar e conhecer profundamente a realidade institucional e territorial torna-se o alicerce para uma intervenção que seja, ao mesmo tempo, crítica, criativa e comprometida com a autonomia dos usuários.

Faculdade: Unicesumar